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Ensaios-poéticos




Amigos, espero por vocês amanhã no Auditório do Campo Grande, 56 - Lisboa, pelas 17.30 para a apresentação do meu livro infantil para pequenitos e crescidos, com animação e outras surpresas. "Na Quinta do tio Tomásio e outras histórias" sob a chancela da Lua De Marfim Editora. Beijinhos e não percam, venham passar uma tarde diferente.


Fonte: http://ensaios-poeticos.blogspot.com/2011/12/apresentacao-do-meu-livro-infantil-na.html




Meus amigos,
Aguardo, com o carinho de sempre, a vossa presença nesta minha estreia na Literatura Infantil. Contos infantis que somam a marca do tempo. Espero por vocês no dia 3 de Dezembro, com o sorriso habitual e, quem sabe, uma lágrima ao canto do olho... Obrigado a todos os amigos que gostam do que escrevo. Bem-hajam! Beijinhos nos vossos corações.




Biblioteca Municipal do Palácio da Qta. da Piedade - Sábado, 3 de Dezembro pelas 15.30H
Rua Padre Manuel Duarte, na Quinta da Piedade
Póvoa de Santa Iria.


["A Autora, Manuela Fonseca e a Editora Lua de Marfim, têm o prazer de convidar V.Exa a assistir à Sessão de Lançamento do livro "Na quinta do Tio Tomásio - e outras histórias". O evento terá lugar no dia 3 de Dezembro, pelas 15,30 horas na Biblioteca Municipal do Palácio da Qta. da Piedade, sito na Rua Padre Manuel Duarte, Póvoa de Sta. Iria.

Momentos musicais a cargo de Henrique Marques.

Obra e Autora serão apresentadas pelo poeta Emanuel Lomelino." ]

Fonte: http://ensaios-poeticos.blogspot.com/2011/11/na-quinta-do-tio-tomasio-outras.html


- 01Set2011 16:05:00

Quando as pessoas decidem sair dos seus acomodados casulos ou labirintos aprendem a ser o que sempre foram: seres humanos fragilizados. Não existem pessoas, completamente, corajosas. Todos escondemos os nossos medos atrás de cortinas pesadas que arrastamos durante uma angústia existencial que muita gente estende num divã de psicanálise, quase sempre inútil.

Manuela Fonseca

Fonte: http://ensaios-poeticos.blogspot.com/2011/09/quando-as-pessoas-decidem-sair-dos-seus.html

O gesto do adeus... - 06Ago2011 19:42:00

O mundo foi mais perfeito, durante uma infinidade de anos onde as conversas fluíam, aconteciam de modo natural e quando o silêncio se aproximava era para nos segredar palavras escondidas a bailarem nos nossos corações. Repartíamos pedaços de ?pão? nos ?pratos? de cada uma. Um dia, acreditei nesta amizade? Hoje, após fazer o luto dela durante semanas a fio, levanto o braço e com a mão entrego-lhe o gesto do adeus.
A amizade é uma filigrana de encontros. Ninguém sabe, antecipadamente, se haverá ou não um encontro. O encontro é sempre imprevisível, inesperado. Como a felicidade, que já não está onde a procuramos, onde a esperamos como caçadores em guarda. Se procuramos ansiosamente a felicidade, se a queremos, encontramos mais frequentemente a desilusão. A felicidade aparece de improviso, quando não pensamos realmente nela, como se nos seguisse e esperasse, para se revelar, enquanto estivemos distraídos.
O riso era o segredo universal do nosso entendimento. O mais difícil já tínhamos conquistado: equilíbrio e confiança. Mesmo que nenhuma de nós soubesse o que queria, para onde ia e como lá chegar.
A vida só me ensinou a aceitar as diferenças que reconheço mas não explico, apesar de viver a decifrar os sinais da vida dentro dos meus conhecidos e eternos labirintos.

Manuela Fonseca



Fonte: http://ensaios-poeticos.blogspot.com/2011/08/o-gesto-do-adeus.html

- 07Jul2011 14:27:00

Nunca esqueças quem foste. Mas se, por acaso, esqueceres, procura-te no mais profundo da tua alma. E se não te encontrares lá é porque deixaste o coração, algures, num lugar escuro e frio onde perderás o teu tempo a tentares achar-te na pessoa que já não coabita com o teu Ser.

Manuela Fonseca



Fonte: http://ensaios-poeticos.blogspot.com/2011/07/nunca-esquecas-quem-foste.html

- 25Jun2011 19:32:00


"Um dia, a lágrima disse ao sorriso: Invejo-te, porque vives sempre feliz. E o sorriso respondeu: Enganas-te...pois, muitas vezes, sou apenas o disfarce da tua dor."


Fonte: http://ensaios-poeticos.blogspot.com/2011/06/um-dia-lagrima-disse-ao-sorriso-invejo.html

Feliz Aniversário! - 14Jun2011 20:08:00


O meu cantinho de poesia e outras palavras que vou rabiscando em horas maiores, hoje festeja o seu 4º aniversário!
Agradeço a todos os amigos que me vão acompanhando, sentadinhos no meu sofá virtual :)
Obrigado e um beijinho a todos, de coração!



Fonte: http://ensaios-poeticos.blogspot.com/2011/06/feliz-aniversario.html


Poder-se-á falar de poesia sem falar do autor? A resposta é afirmativa, no entanto, no caso deste POESIA SEM REMETENTE, a tarefa é árdua e bem mais complicada, não só pelo conhecimento que tenho da autora, mas sobretudo, pela dificuldade em distinguir o que é âmago e estro da poetisa.

Sendo certo que um criador, seja qual for a arte, deixa sempre um pouco de si em cada criação, não é menos verdade que alguns deixam quase tudo fazendo do objecto criado uma extensão de si próprio. Mesmo sendo o poeta um eterno fingidor, não é raro encontrar quem empregue elevadas doses da sua realidade no processo criativo. Sei que a minha próxima afirmação não é consensual mas creio que este estilo de criação, em que o autor não se separa da pessoa física que é, transforma o objecto criado num veículo de aproximação entre o autor e os seus leitores.

Neste caso concreto, que nos traz hoje aqui, independente da consciência, ou não, desse feito, a autora oferece-nos uma poesia de quase confissão através da qual se desnuda, revelando-nos o seu sentir mais reflexivo, intimista e, atrevo-me mesmo a dizer, mais humano.

Para quem tem o privilégio de conhecer pessoalmente MANUELA FONSECA, não será difícil encontrar, em cada um dos poemas deste livro, uma ou mais características que a definem e identificam. Para além do SER pensante, preocupado, inquiridor, inconformado e, até mesmo, rebelde, encontramos vestígios da mulher afável, carinhosa, meiga, sentimental e apaixonada.

Cada um dos oitenta e um poemas deste livro é-nos oferecido como peças de puzzle que juntas nos dão o retrato quase perfeito da autora que, tal como nós, tem virtudes e defeitos, sonhos e utopias, alma e coração.

Se atentarmos mais em pormenor esta obra, verificamos o quanto de telúrico ela comporta e o grau de emotividade nostálgica que suporta esse telurismo.

Se mergulharmos bem fundo na poesia de MANUELA FONSECA, vamos sentir cada poema como uma vaga de sentimentos, que também são os nossos.
E é neste ponto que reside, quanto a mim, o maior trunfo da autora; a capacidade de descodificar a humanidade usando as suas percepções como fonte de ingnição ao nosso pensamento. Haverá algo mais importante num livro que a capacidade de nos fazer reflectir?

Este livro pode conter POESIA SEM REMETENTE mas ninguém negará a existência de destinatário para cada um dos poemas que o compõem. A poesia deste livro não é para ninguém em particular, é para todos nós, leitores. Se soubermos ler cada palavra, cada verso, cada poema, se soubermos interpretar cada sentimento, pranto ou grito, cada alegria, sorriso ou gargalhada, então saberemos quem é MANUELA FONSECA na mais genuína das suas formas.

Emanuel Lomelino

28/05/2011





Fonte: http://ensaios-poeticos.blogspot.com/2011/05/apresentacao-do-livro-poesia-sem.html


Ruy de Carvalho inicia-se no teatro, como amador, em 1942, no Grupo da Mocidade Portuguesa, com a peça "O Jogo para o Natal de Cristo", com encenação de Ribeirinho. De 1945 a 1950, frequentou o Conservatório Nacional, cujo Curso de Teatro/Formação de Actores terminou em 1959, com 18 valores.

Estreou-se profissionalmente, em 1947, no Teatro Nacional (Companhia Rey Colaço/Robles Monteiro), na comédia "Rapazes de Hoje", de Roger Ferdinand. Em 1950 ficou conhecido pela sua interpretação de Eric Birling em "Está lá Fora um Inspector", de Priestley (1951), estreado no Teatro Avenida. Nesse mesmo ano ingressou no Teatro do Povo (mais tarde Teatro Nacional Popular), onde faria todas as temporadas de Verão, sob a direcção de Ribeirinho, até 1958. Importante actor da sua geração, fundou, em 1961, o Teatro Moderno de Lisboa, um grupo teatral progressista, que revelou autores nunca representados em Portugal, à revelia da censura. Em 1963 foi para o Porto, assumindo a direcção artística do Teatro Experimental do Porto (TEP), onde realizou a sua única experiência como encenador, em "Terra Firme", de Miguel Torga.

Fez ainda parte de outras companhias, como a companhia de Laura Alves, a Companhia Rafael de Oliveira, Artistas Associados ou a companhia sediada no Teatro Maria Matos, com as quais efectuou digressões ao Brasil e a África. Em 1977, esteve no relançamento do Teatro Nacional D. Maria II, cuja companhia pertenceu até à sua extinção. Trabalhou com Filipe La Féria em espectáculos como "Passa Por Mim no Rossio" (1992), "Maldita Cocaína" (1994) ou "A Casa do Lago", de Ernest Thompson (2002).

Interpretou outros autores como Molière, Tennessee Williams, Bernard Shaw, Anton Tchekov, D. Francisco Manuel de Melo, Eça de Queirós, Luís de Sttau Monteiro, Luiz Francisco Rebello, entre outros. Cumprindo um velho sonho, protagonizou em 1998, sob a direcção de Richard Cotrell, o clássico Rei Lear, de William Shakespeare, integrado nas comemorações dos 150 anos do Teatro Nacional e dos 50 anos da sua carreira de actor.

Em Espanha participou no concerto de encerramento da temporada do Teatro Monumental de Madrid, intitulado Orfeu, com textos de Fernando Pessoa e música especialmente concebida para si pelo compositor Pablo Rivière. A convite do encenador Simon Suarez, foi protagonista da ópera Fígaro, de José Ramon Encinar, levada à cena no Teatro Lírico La Zarzuela.

A sua actividade estendeu-se igualmente à rádio e à televisão, tendo participado, nomeadamente na RTP, no Monólogo do Vaqueiro (1957), séries e novelas.

No cinema, estreou-se em 1951, com "Eram 200 Irmãos", de Armando Vieira Pinto, mas foi nos anos 60 que o seu trabalho se tornou mais relevante nesse campo. Da sua filmografia destacam-se "Pássaros de Asas Cortadas", de Artur Ramos (1963), "Domingo à Tarde", de António de Macedo (1965) que também o dirigiu em A Bicha de Sete Cabeças (1978), "O Cerco", de António da Cunha Telles (1969), "Cântico Final", de Manuel Guimarães (1974), "O Processo do Rei", de João Mário Grilo (1990), entre outros. Com Manoel de Oliveira deixou marca em "Non ou a Vã Glória de Mandar" (1990), "A Caixa" (1994) e "O Quinto Império - Ontem Como Hoje" (2004). Para além dos seus filmes como actor, Ruy de Carvalho tem emprestado a sua voz, diversas vezes, ao cinema. Participou também em numerosos teatros radiofónicos e trabalhos de dobragem de desenhos animados.

Ruy de Carvalho recebeu Prémios de Imprensa para o Teatro (1962, 1981, 1982, 1986); Prémios de Imprensa para o cinema (1965, 1966, 1971); Prémios da Crítica Especializada (1961, 1962, 1964, 1965, 1981); foi nomeado, em 1987, para o Prémio Garrett da Secretaria de Estado da Cultura. Em 1990 foi-lhe atribuída a Medalha de Mérito Cultural. Em 1993, foi agraciado com o grau de Comendador da Ordem do Infante D. Henrique. Em Março de 1998, com o grau de Comendador da Ordem Militar de Santiago da Espada. Em 1998, é galardoado com o Globo de Ouro para a Personalidade do ano. Foi galardoado com o Prémio Luís de Camões da Universidade Lusíada, o Prémio Byssainha da Fundação Byssais Barreto. Em 1999, é galardoado com o Globo de Ouro de Melhor Actor.

Foi Presidente do Conselho Nacional para a Política da 3ª Idade e mandatário da campanha de candidatura de Pedro Santana Lopes à Câmara Municipal de Lisboa.

Viúvo, tem dois filhos e três netos, tendo um dos filhos seguido a mesma carreira - João de Carvalho.

RUY DE CARVALHO - UM ACTOR PORTUGUÊS!

Fonte: http://ensaios-poeticos.blogspot.com/2011/05/ruy-alberto-rebelo-pires-de-carvalho.html


Os meus pés nus acrescentam sorrisos
À púrpura do caminho que percorro
Em gestos afagados de ternura
Asas de anjo vestidas de arganaz
Palmilho os anos de uma vida a crescer
E na esquina de cada passo
Deslizo o amor que me acompanha
Em sentido único.

Manuela Fonseca



Fonte: http://ensaios-poeticos.blogspot.com/2011/04/os-meus-pes-nus-acrescentam-sorrisos.html

ENSAIO - 11Abr2011 15:26:00

Poderia escrever uma cronologia
Fazer uma análise
Uma síntese
Ou até uma auto biografia.
Mas não. Não me apetece.
É muito tarde
E os músicos não param de tocar
Melodias estranhas
Acordes saltitantes
Denunciados por um violino
Contorcido
Que já perdeu o tom.

As pausas são como são?

Amanhã é sábado
E o domingo já passou.
Mas se um dia eu escrever
Algo sobre ti
Terei que pensar muito bem
Em como vou dispor a tua vida
Se narro os anos antes dos acontecimentos
Ou os acontecimentos antes dos anos.
Os meses, os dias, as horas?
Esses não contam.
Tal como os nomes dos lugares
Das pessoas, das terras?

Alguém costumava afirmar
Que quando se escreve
Tem que se sentir o que se escreve
Porém, sob o ponto de vista de Pessoa
A coisa é bem diferente
Sentir? Sinta quem lê!
O mais importante são os acentos das palavras
E a pontuação das páginas.
E o Fado!
O Fado que existe em toda a literatura portuguesa.
E a musica surgirá através da alma do teu olhar.

Mais adiante, haverá tempo para um poema adequado?

Manuela Fonseca



Fonte: http://ensaios-poeticos.blogspot.com/2011/04/ensaio_11.html

A QUINTA FASE DA LUA - 04Abr2011 08:28:00

Atravessei o vale da noite

Com a alma pendurada no olhar

O sorriso amarrado à cintura

Nas pernas o tombo do cansaço

De quem bebia à volta do prato

E picava as migalhas

Sob um convite lunar

Quando os cabrões me deixaram

Os restos mortos de um planeta

Meditei-me na intensa escuridão

Sobre o sossego espaçado

Da quinta fase da lua

Insanidade profetizada

A erigir bandeiras

De palavras prostitutas


Isenta de afectos

Reapareci-me

Nessa quinta fase

De uma lua ignorada

Efeitos colaterais

De Lugares Santos.


Manuela Fonseca




Fonte: http://ensaios-poeticos.blogspot.com/2011/04/quinta-fase-da-lua.html

Um dia, fui ninguém... - 25Mar2011 18:19:00

O mundo só existe para quem pode comer pão barrado com alegria que se solta dos sorrisos cúmplices das gentes simples.
Aperto os ombros com saudades de mim em tempo de passados eternizados por um divã, onde o sono me apanhava antes de o sonho me atingir a alma.
Recordo-me, vagamente, de ser tão sozinha quando brincava com as conchas da sopa que a minha mãe fazia.

Sinto saudades do que nunca tive.
Lembro-me da casa da minha sogra, em Travancinha. Tinha um postigo por cima do lava loiça e eu levantava a cortina de chita já velhinha, sorrindo ao verde da erva ali pousada. Às 6h da tarde espreitava as ovelhas por esse mesmo postigo, com a felicidade de saber que elas existiam, fingindo que estavam ali só para mim. Era uma casa tão pequenina mas onde me sentia tão bem.
Nunca mais a verei?

Lembro-me do prato antigo onde a minha mãe deitava a farinha Amparo e de como eu o rapava, feliz! Eu era feliz, mesmo sentindo aquela solidão que me frisava o olhar quando levantava a cabeça e via em cima do móvel as bonecas proibidas de mexer.

Um dia, fui ninguém?
Ninguém, continuo a ser?

Manuela Fonseca



Fonte: http://ensaios-poeticos.blogspot.com/2011/03/um-dia-fui-ninguem.html

Conheço... - 16Fev2011 20:46:00

Conheço o que digo.
Conheço o que sinto.
Conheço o que faço.
Sou íntima do meu sorriso.

Mas não conheço o meu caminho...
Estou cansada de aprender-me.

Manuela Fonseca




Fonte: http://ensaios-poeticos.blogspot.com/2011/02/conheco.html

O amor traiu-me! - 27Jan2011 19:48:00

O amor andava nas esquinas
Silencioso
A enganar-me o coração
Espreitava-te ao virar da curva
De cada vez que o olhar o abafava

Caminhava no meu vagar
Sem me deixar a descoberta do conforto
Ao ver-te
Como o sentimento forte de ter chegado a casa

O amor traiu-me
Num dia de Inverno
Aquele dia em que dividimos as nossas fontes
E eu caí dentro da tua alma
Sem saber que te amava?

Zanguei-me com esta paixão
Empurrei o cupido culpado
E continuo a sentir-me traída
Por mim própria
Pelos sentimentos
Pelos olhares
Pelos abraços
E pelo beijo que sempre tarda
E nunca chegará.

Manuela Fonseca



Fonte: http://ensaios-poeticos.blogspot.com/2011/01/o-amor-traiu-me.html

Feliz Ano Novo - 2011 - 28Dez2010 13:56:00


Que o Novo Ano 2011 traga muita paz e esperança unidas à saúde, a todos os amigos
deste meu cantinho.
Beijinhos de amizade,
Manuela Fonseca



Fonte: http://ensaios-poeticos.blogspot.com/2010/12/feliz-ano-novo-2011.html



Cabe-me apresentar obra e autora, nesta sessão de lançamento do livro "Poesia sem remetente", de Manuela Fonseca.

Primeiro vou falar-vos da mulher, esse ser humano amigo, donde brotam sorrisos, dos mais lindos e sinceros, donde surgem gestos de carinho, no seu consecutivo movimentar, por entre aqueles que considera e gosta.

É, por demais, insignificante qualquer expressão que possa adicionar às que se vão dispondo ao longo dos tempos, do seu conhecimento. Tudo se torna insuficiente para definir os valores que emergem deste ser humano.

A mulher que está aqui, a meu lado.

Quanto à autora, propriamente dita, essa assume o relevante estatuto de poder fazer brotar no papel, as suas majestosas e sentidas palavras, pela singela forma de como observa tudo o que a rodeia e pelas enormes qualidades que lhe são intrínsecas. E isso fá-lo tanto no registo em prosa, como na forma de poesia.

A sua escrita discerne-se pelos maravilhosos conteúdos, a que o leitor não é insensível.

Manuela Fonseca é um grande exemplo de humanismo.

Hoje é um privilégio estar aqui, junto dela e desta sua magnífica obra, que penso vos tocará em todos os vossos sentidos, assim que com ela puderem interagir e com o seu valioso conteúdo.

"Poesia sem remetente" é uma global introspecção aos meandros memoriais e do sentir da mulher, levados à escrita pelo regaço da autora de uma forma carinhosa, intensa e viva.

Manuela Fonseca seduz-nos na constante leitura que fazemos, daquilo que escreve.

Dividindo esta obra em cinco partes, faria uma abordagem a cada uma delas, aludindo a alguns dos poemas que as mesmas englobam.

Uma primeira parte, ou grupo, que se refere a um âmbito mais restrito e verdadeiramente representativo do seu crescer em família. Aqui fala dos progenitores, dos descendentes, das suas raízes.

Momentos mais tristes e outros mais alegres, como acontecem com qualquer vivência humana.

Aqui exterioriza factos escondidos num percurso de vida que interiorizaram o seu ser, ao longo de muitos anos, e múltiplas experiências dessas vivências. Um misto de saudade e alegria exposto em palavras sentidas, num contexto delicado e refinado pelos valores que, efectivamente, o constituem.

A relevância de uma sensibilidade ímpar que se torna autêntica, na poesia constante deste livro, que se comprova pelo que passo a ler.

Senta-te numa cadeira que não dizes ter
Mas sim ganhar.
Fica contigo e permanece.
Escolhe um sorriso
Do leque da tua alma
E oferece-o à vida
Num gesto de ternura
E coragem.

Manuela Fonseca


São autênticas "Disciplinas da Alma", que se sentem em suas palavras.


Passamos a uma segunda parte, um tanto dolorosa, onde os aspectos da natalidade, da sobrevivência, da resistência estão registados de sublime maneira. São abordados os mais diversos problemas sociais, sempre com um olhar crítico e realista. O sofrimento das crianças, a fome e a guerra são outros assuntos aqui ventilados.


O poema que se segue interage com alguns desses males sociais.


A VALSA DA FOME


Vem dançar comigo

A valsa da fome

Conhecer a criança

Que deixou a força

Em outros olhares


Vem sentir comigo

O lugar vazio

Onde ela chora

As tuas lágrimas

De indiferença


Vem comigo

Conhecer

A valsa da fome


O outro lado de ti!


São deambulações da palavra no sentido de referenciar todas as negruras que atingem todos aqueles que têm fome. E cada vez mais este desgovernado mundo, ou seja governado com interesses maquiavélicos e mesquinhos, leva a estes resultados e a toda a sua evidência, sem quererem encontrar uma solução, por imperativo dos grandes poderes existentes nesta grandiosa bola, que é o planeta Terra.


Este aspecto da vivência humana, cada vez mais negativo, tem grande incidência nas crianças.

Crianças sem futuro, logo a partir de serem geradas.

Depois nascem sem qualquer esperança de vida.


O poema que se segue é para meditarmos sobre este problema que assola, cada vez mais, o mundo em que vivemos.


CRIANÇA


Não semeou o trigo

A lágrima secou

Olhos acordados [vidrados]

Ausência de vida [Esperando]


Criança

Não te vás!


Temos um terceiro grupo de poemas que fazem estabelecer a esperança de um mundo melhor, ainda que efémero. O aspecto harmonioso desenvolvido em suas palavras, onde fala dos natais de uma vida, nas lembranças da sua infância e juventude. Os encontros de tempos que ecoam em sons ora relembrados e em memórias de imagens inesquecíveis.

O natal, como alguém já disse, deveria ser quando um homem quisesse.


Mas nunca assim é, e essa quadra torna-se, então, na mais bela do ano, ainda que envolta num pouco de hipocrisia, pela troca das famigeradas prendas e lembranças.


Todavia a reunião familiar, e o calor desse ambiente, supera todas as negatividades.


São "Dezembros de memória".


Aquela que se estabelece por quarta parte traz-nos a mensagem da paz, a pomba branca da compreensão.

A afinidade entre seres humanos que poderá resultar em uniões, umas profícuas, outras nem tanto, mas todas com enormes momentos, mesmo que ténues, de amor.

A paixão, que muitos têm por súbita, desenvolve e empolga circunstâncias indefinidas, mas empolgantes, sobremaneira.

A oferta de um ramo de flores, um passeio pelos campos plenos de verdura incomparável, um afago, um carinho, um pulsar constante, um abraço e um beijo.

Tudo isto se revela na poesia da Manuela neste grupo que encerra dos mais belos versos sobre esta temática. Um exemplo aqui vai.


AMAR-TE É CONHECER O MUNDO


Com os teus olhos

E as minhas mãos

Fizemos aquele amor desejado

O olhar abusava do saber sentir

E a textura da pele entrelaçada

Em sensualidade oculta

Ofereceu-nos grandes palavras

Onde sempre descobríamos uma estrela

Que nos vinha tremeluzir devagar


Amar-te é conhecer o mundo!


Por último, aquele que considero o grupo da palavra (o quinto), onde se desenrolam os textos de índole mais livre, no tocante ao conteúdo poético, e de matéria mais ampla e plural. Para além disso aqui se registam algumas dedicatórias referenciais e de relevante agradecimento, onde a autora se dá em palavras, às palavras daqueles que mais lhe tocaram no cerne, neste mundo da escrita e de toda a sua envolvência.


Disso deixo aqui um exemplo:


MARGEM DE RIOS


Dormias embalado em cânticos

De rochedos ausentes

O vento soprava-te segredos

De outras margens distantes


Ouvia-te em doces mortes

E a vida regressava fantasma de mim

Margens fechadas e suspensas

Aleatórios rios de lembranças

Ressurgiam no respirar

De te tornar a ver

Ali sentado

Despeitado

Ornamentado de um sentimento

Não desejado


E o serpear dos mares

Enchia o teu orgulho

De agonia perfeita


Este é um livro que apetece ler e reler e de onde poderia ter retirado mais excelentes exemplos para sustentar e definir cada um dos grupos que referenciei.

"Poesia sem remetente" não precisará de grande publicidade para ter um enorme sucesso. Quem gosta de poesia não poderá deixar de o ler. Recomendo sua urgente leitura, por inúmeras vezes. É um livro magnífico.


Quanto à autora, Manuela Fonseca, só tenho a agradecer-lhe o convite que me fez para apresentar esta grandiosa obra e estar aqui, à hora do seu lançamento, em livro.

Não sei se estarei à altura do momento, mas que me deu um enorme prazer interagir com as suas palavras nesse contexto, disso não tenho dúvidas.


Por tudo isso, resta-me agradecer carinhosamente.


Termino com um excerto das palavras da própria autora:


"Hoje choveu sobre a minha infância. Todos os vestígios que os meus pés deixaram no chão desapareceram. Tento lembrar-me dos meus antepassados. Alguns retratos da minha mente vêm-me à memória, quantidades indeterminadas de imagens..."


"... A passos largos aproximei-me do tempo das coisas secretas, cavalguei para o lado dos segredos e das mãos dadas onde desejei, embriagada em perfume, que não mais chovesse na minha infância."


Obrigado Manuela!


António MR Martins


Lisboa, 11 de Dezembro de 2010


Auditório do Campo Grande, 56


Obrigado meu querido amigo, por todas as palavras, todos os sorrisos e pela imensa Amizade que nos une!




Fonte: http://ensaios-poeticos.blogspot.com/2010/12/apresentacao-do-livro-poesia-sem.html



Amigos,

Vou fazer uma apresentação do meu livro/romance "O Último Beijo" em Bobadela, a terra que adoptei de coração há 37 anos.
É com muita alegria e orgulho nesta terra, que convido todos os meus amigos a estarem presentes neste evento.

Dia 27 de Novembro, pelas 17:00, lá vos espero com muito carinho e amizade.

Sala da Assembleia da Junta de Freguesia de Bobadela
Praceta José Régio, 16-B
Bobadela

Ao Presidente da Junta de Freguesia de Bobadela, Sr. Nuno Dias, agradeço o espaço cedido para esta apresentação e a sua presença na mesa que muito me orgulha.

Não posso aqui deixar de referir o nome de alguns amigos que tornaram possível este evento:
- Pedro Caeiros
- José Rodrigues
- Carla Valente Pinto
- João Lopes

Um obrigado muito grande, amigos!

Venham todos e tragam mais cinco :) O livro agradece!

Beijinhos da vossa amiga
Manuela Fonseca




Fonte: http://ensaios-poeticos.blogspot.com/2010/11/apresentacao-do-meu-livro-o-ultimo.html


Boa tarde Manuela

Adorei o encontro no passado dia 16 de Outubro. As suas palavras emocionaram-me como há muito já não acontecia, porque vivemos sobretudo num mundo, onde as pessoas são indiferentes umas às outras, provocando o aniquilamento de qualquer diálogo.

E ali naquele espaço onde as palavras e os sentimentos fizeram uma ponte nasceu uma realidade diferente, onde o diálogo, a partilha e a amizade tiveram primazia.

Espero reencontrá-la de novo no lançamento do seu livro, e, ou, noutras oportunidades.

Vou-lhe enviar o poema que lhe dediquei. Grata pela sua atenção e amizade.

Cordiais cumprimentos

Paula Costa




"Breve brisa

que acaricia

as copas

das árvores

que derivam

ao sabor

de sentimentos

alheios

Breve poder

estar sem pressas

aproveitando

o momento

enriquecido

pelo esplendor

único do mundo

construtivo

embalador

nas horas de sossego."

15/10/2010


Este poema é para lhe agradecer o encontro onde as palavras ganharam dimensão


O encontro foi surpreendente

As suas palavras ecoaram

no coração de cada um

na emoção sentida e vivida

na alma do subtexto

onde o rio flúi

onde a água

em todo o seu conjunto

é derramada

num grande oceano

de profundas harmonias

proliferadas

no principio do bem-estar

É importante que assim seja

para que possa haver

o equilíbrio no mundo.


18/10/2010

Paula Costa

(Paula, grata por este carinho e amizade.
Retribuídos com toda a minha ternura!
Beijinhos e um longo abraço
Manuela Fonseca)



Fonte: http://ensaios-poeticos.blogspot.com/2010/10/minha-bussola-da-amizade-e-feita-de-um.html


Filho da Lua - 18Out2010 08:21:00

Que poderei eu fazer

A não ser deixar queimar o medo

Em fogo secreto que acendo

E calar este silêncio na cor da noite

Dizimar horas que me separam

Em distâncias baloiçadas

Abandonadas


Talvez um dia escale a sua montanha

A mais íngreme do mundo

Deixar que o vento me rasgue

Sorrisos rasteiros

Onde escorreguem solidões

Por penhascos agrestes

Contemplando a península estendida até Lisboa

Prateada


Se eu pudesse dizer

O que sinto agora

Se eu soubesse achar o caminho

Do Filho da Lua

Os seus pensamentos irrequietos

Na travessia do Tejo

Seria a autora do seu destino


Se eu soubesse andar para trás

Subir aos calvários e trazer nas mãos

O calor do olhar da Filha da Terra

Como num livro que tivesse escrito

Sentada nas estrelas de um jardim céltico

Perdido e encontrado

Nos olhos que vi



Ah, Filho da Lua

Se eu soubesse?

Manuela Fonseca




Fonte: http://ensaios-poeticos.blogspot.com/2010/10/filho-da-lua.html