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O sujeito estava a assistir a um ballet com a mulher, quando de repente começa a rir.
- Porque estás a rir? - perguntou a mulher. - Estou a imaginar qual seria a reacção do público se de repente eu subisse ao palco e violasse uma das bailarinas. A mulher não fez nenhum comentário, mas pouco depois começa a rir. - Porque estás a rir? - pergunta o sujeito - Estou a imaginar o que farias se o público pedisse bis! Estatísticas
Ensaios-poéticos
Menina das Tranças Loiras - 01Jul2007
![]() Menina das tranças loiras Que caminhas à beira da estrada Levando sonhos embrulhados Em tule azul celeste Não vês como é grande e estranha A saudade que paira sobre a tua cabeça Ora descobre o Sol Ora descobre a Chuva... E tu, menina das tranças loiras Desdobras a saudade ao Sol Enquanto caminhas ansiosa Na direcção do cais Apesar de saberes que lá A Chuva cai E os sonhos não voltam. Sentada à beira do cais Vês o atracar de navios Abarrotados de gente Que vai para o lado de lá de ti Subitamente, o Mar revolta-se Com a audácia dos teus sonhos E a Chuva cessa! Olhas para trás E desejas correr Em busca do momento perdido. Mas é tarde... Ficas à beira do cais Olhando para os navios Estáticos e vazios. Abres as mãos E deixas deslizar por entre os dedos A saudade inútil Que outrora desdobráste ao Sol Como sendo destroços de um naufrágio Lançados à praia... Manuela Fonseca Fonte: http://ensaios-poeticos.blogspot.com/2007/06/menina-das-tranas-loiras.html Passa a gaiata - 01Jul2007
![]() Passa a gaiata Vestida de prata Rebolando as ancas Ao longo da avenida Lábios carmim No rosto experiente Passa a gaiata Não vê e não sente O nó desta vida Luar citadino Olhar a vibrar Gargalhada à janela Passa a gaiata E a noite com ela? Passa gaiata? Passa! Manuela Fonseca Fonte: http://ensaios-poeticos.blogspot.com/2007/06/passa-gaiata.html A Casa - 01Jul2007
![]() Do lado direito da estrada Recentemente alcatroada Existe uma casa De pedra cinzenta Com profundas raízes Abraçadas ao chão Daquela terra esquecida no Tempo Geme baixinho A solidão e o frio Retidos na lareira Já sem vida. Nas paredes de pedras Bem amontoadas O entardecer bocejava Em tempos idos No alpendre Atafulhado de palha húmida Cheira-se o bafio Nascido ao longo dos anos. Ao Sul O poço secou E na eira adormecida Fragmentos de antigos cereais Rastejam ao sabor do vento Ao campo extenso da seara O castigo é a secura E à beira da casa Um pomar De frutos estéreis Tombam aos olhares Ervas daninhas Nascem descontroladamente Envolvendo a casa Num profundo abandono. A Casa? Dez palmos de solidão! Manuela Fonseca Fonte: http://ensaios-poeticos.blogspot.com/2007/06/casa.html Deixem-me recordar... - 01Jul2007
![]() Sento-me na Poltrona do Tempo E cheia de paciência Ponho-me a olhar Para o dia de ontem? Recordo frases frias Ditas por alguém Que me era estranho à alma. Relembro vagamente O primeiro beijo que me deram Mas não o verdadeiro. As cantigas da minha infância Fazem-me chorar de pena Das cantigas que não ouvi? No jardim público da minha terra Os meus filhos ganham o jogo Que eu nunca aprendi a jogar. A rua onde eu morei Já não é a mesma Mas o seu nome Ainda se mantém. O pátio onde eu cresci Alegre de flores E cantares de canários É hoje um prédio cinzento Estranho ao chão do pátio. As bonecas que me entreteram Perderam-se no tempo Como os sonhos que sonhei? E naquela fotografia Envelhecida pelos anos Tenho o sorriso Daqueles que o sorriso desconhecem. Deixem-me recordar Sentada na minha Poltrona Sem Tempo? Manuela Fonseca Fonte: http://ensaios-poeticos.blogspot.com/2007/06/deixem-me-recordar.html Tu és especial... - 01Jul2007
![]() Estava sem sono. E quando olhei para aqueles dois gatinhos entrelaçados num sono profundo, comovi-me! E lembrei-me das noites passadas na conversa onde nada era proibido, todos os assuntos vinham à baila.E ríamos. Ríamos muito, tirávamos fotos, ficávamos sérias, falávamos sussurrando e ouvíamos o "Oceano Pacífico". Foi tão gira aquela noite em que bebemos o leite todo, até acabarem os pacotes no frigorífico! Tu sempre gostaste do tempero do meu leite: Nesquik com açucar. E as torradas? Ai, as torradas! Sabiam sempre tão bem às 02h da manhã... Comíamos torradas com a mesma estupidez dos desordeiros que dão pontapés nos contentores do lixo às 03h da manhã e acham que são uns heróis! Tudo o que queríamos era beber a vida, sem culpas nem passados e muito menos pensar em futuros desconhecidos. Eu achava que escrevia umas coisas e continuei a escrever durante anos... E aquela noite em que fomos ao Castelo de S.Jorge e comemos bolos na pastelaria do Rossio? Andei tanto nessa noite! Acho que nunca andei tanto e tão depressa, até então! E depois no Bora-Bora... Saímos de lá com uma flor na mão que nos deram à saída. As conversas que nós tínhamos eram sempre tão cheias, disparatadas, sérias, às vezes, sinistras. Nessa noite, deu-nos a fome e fomos roubar couves ao quintal do teu pai. Que delicioso caldo verde! O caldo verde é sempre mais delicioso às 03h da manhã! Hoje, a noite não tem Lua. Está de luto. Um luto belo e doentio. Por que será? Mas que disparate... Não tenho queijo no frigorífico... Apetecia-me queijo da Serra com pão espanhol. Ai, que delícia! Sinto-me tão bem a comer pão com queijo... O resto, naquele momento, não me importa. Só o sabor variado do queijo. E sou muito exigente com o pão. Pois sou! Não gosto de pão de plástico! Gosto de pão autêntico, como tudo na vida. Ah! Já te contei que fui ao Museu do Pão, em Seia? Adorei! Eu gosto de museus assim. Museus do povo. Coisas nossas. Que frio, tenho os pés gelados. Talvez um chá quente resolvesse esta minha falta de sono. Não sei... Nem nunca vou saber porque não vou à cozinha encher um púcaro com água e meter lá dentro um pacote de chá de cidreira ou camomila... Ou talvez seja fome. Eu disse fome??? Sei lá eu o que é fome! Sei o que é apetecer comer, mas fome... Não! Sabes amigona, queria pegar numa fatia do céu e dividi-la pelos povos que morrem à fome todos os dias e minutos e segundos. Tu és especial. És a melhor amiga. E tens um feitio que eu nem te digo! Mas és especial... Nunca ficas empanturrada com nada, só de pastéis de nata. Quentes, estaladiços... Seis pastéis de nata consolam-te. O teu marido desilude-te. Pelo menos, é o que estás sempre a dizer cada vez que ele não é perfeito como tu gostarias que ele fosse... Será que os pastéis de nata são sempre perfeitos? Manuela Fonseca 22/11/2006 Fonte: http://ensaios-poeticos.blogspot.com/2007/06/tu-s-especial.html E que felizes nós fomos! - 01Jul2007
![]() Na noite longa e permanente De um dia sem entardecer Encontrei-te sem destino Sorrindo numa estrada paralela Caminhámos de mãos dadas Num tempo sem horas Sem anos... E que felizes nós fomos Naquela estrada Onde nunca nos cruzámos! Manuela Fonseca Fonte: http://ensaios-poeticos.blogspot.com/2007/06/e-que-felizes-ns-fomos.html | ||||||||||||
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